Já há bastante tempo que não venho aqui ... Às vezes parece que este espaço é um pseudo muro das lamentações ...
E mais uma vez hoje venho lamentar (entre o estudar o projecto em que vou trabalhar e fazer um trabalho sobre a reforma do sistema de saúde da colômbia ...)
Como tudo na vida, os dias têm dias ... dias em que apesar do céu cinzento e o frio imenso, o mundo nos parece sorrir, e dias em que apesar do sol primaveril, e dos sorrisos no meio do trânsito, o mundo nos parece querer engolir.
E a verdade, é que desde que regressei, os dias de céu cinzento e frio imenso, em que o mundo parece querer engolir-me são muitos.
Tenho custado a encontrar o meu lugar aqui de novo.
Preciso de um espaço para me encontrar, e não encontro espaço na minha vida para isso.
Custa-me a leviandade das relações, dos compromissos.
Custa-me as exigências e os pedidos do socialmente correcto e estipulado.
Custa-me ver-me enleada nestas coisas, e nos marasmos consentidos de desamor e despreocupação com o outro.
Custa-me sentir que não tenho portos de abrigo ... que os perdi, ou antes que os deixei perder ...
Custa-me sentir que perdi a minha independência, para ser dependente de mim própria.
Custa-me os encontros marcados e premeditados, cheios de falta de surpresa e de verdadeira alegria pelo inesperado, custam-me as maquinações das relações.
E não me apetece esforçar mais .. eu não sou daqui ... parece que já não pertenço. Estou, porque tenho de estar, porque é socialmente esperado que esteja ... que faça ... que haja ... mas não sou eu ...
3 comentários:
Não coneço portos de abrigos que simplesmente desapareçam, conheço sim, portos que ficam em más condições por não serem usados. Como tudo o resto tambem precisam de ser reparados, mantidos (re-cativados).
O teu espaço sempre esteve (estará) cá. Só precisas de acredita que ele e existe, e deixares que nos preocupemos tambem contigo, pois isto de dar e receber, tem mais piada se for nos dois sentidos.
Felizmente, estas habituada a um mundo das relaçºoes verdadeiras, e aqui na urbe, infelizmente algumas dessas relações, são mais meros aconchegos por interesse, necessidade.
Mas acredita que muitas continua a haver,que são puras, são relações verdadeiras.
Beijo grande, de um dos teimosos
E não te esqueças que continuamos cá ;)
Assina outro teimoso que já deixou de teimar tanto que "não é de cá":
Maria Luísa... nós somos uns bichos fantásticos e tenho a certeza absoluta que o seremos também por esta capacidade: adaptação! Mas mesmo sendo fantásticos, temos alguns defeitos... e a tua "adaptação" pode ser mais lenta!
Ver-te a escrever que te desapareceram os pontos de abrigo deixa-me inquieto... mas o que são os pontos de abrigo? Esses locais que te deixam confortáveis? A mim deixa-me muito confortável "ir a caminho do nosso escritório e virar à esquerda, mesmo antes de chegar à sala"... e também me deixava confortável "esperar pela tua vinda, aos serões na parte de fora da casa, a conversar e isso sim, num verdadeiro muro de lamentações"... mas E ENTÃO? Isso não existe cá... claro que não! Mas existem outras mil coisas maravilhosas... basta querer vê-las, basta ter o coração aberto para as acolher, basta querer ouvi-las...
Hoje apetece-me bater-te... e dizer-te que gosto de ti, que tenho muitas saudades tuas...
E lamento, mas eu preocupo-me demais contigo... gostes ou não gostes, preocupo-me! E sabes porquê? Porque, querendo ou não, és parte de mim...
Hoje os "nossos idosos" aparecem na RTP1 no Príncipes do Nada... vamos ver e ficar bem nostálgicos? :-)
Saudades... de tudo!
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