terça-feira, novembro 22, 2011

Desumanidade #2

Já aconteceu à uma semana ... e se no momento da raiva perante a bestialidade do acto e perante a minha completa impotência, me apeteceu escrever em todos os  muros da cidade o que tinha visto, depois do caminho percorrido, decidi acalmar em "a raiva aflita da vertigem".

Mas a verdade é que após uma semana continua entrar em cena todo o aparato, toda a situação, e não consigo esquecer ... ou compreender ...

08h da manhã, eixo N-S. Toyota branca, de 06-11 (assaltam-me os meus preconceitos ... que outra atitude esperar de quem compra um carro destes em plena época de crise ..?).

Fila após o túnel da Ameixoeira, como todos os dias, mais metro menos metro, mas fila.

Sigo na faixa da esquerda, não quero sair senão bem no fim do Eixo, tento evitar as paragens de quem entra ou sai do Eixo. Sigo calma ... não dá para correr ... avanço lentamente com o carro ... à minha frente deixo espaço suficiente para outro carro, de modo a que consigo ir em segunda, sem chegar a parar o carro, ainda que o carro da frente siga em pequenos e insistentes pára-arranca.

Buzinam ... atrás de mim o carro não gosta que eu vá naquela velocidade ... exige que me cole ao carro da frente e siga a minha marcha nos tais pequenos e insistentes pára-arranca. Ignoro. Não acho que tenha que o fazer ... vamos em fila ... não adianta de nada ... Não contente o carro ultrapassa-me com uma razia, para ficar no lugar imediatamente à frente do meu, nem mais um metro nem menos um metro ... não havia espaço nem distância para mais.

Seria já mau de si, a atitude, a razia, a ignorância ...

Não é muito comum, mas atrás de toda aquela fila imensa até ao Santa Maria, ouvem-se as sirenes da ambulância, quase na zona da segunda entrada do Lumiar (segunda depois do Túnel) no Eixo N-S. A ambulância fura entre a faixa da esquerda e a do meio. Todos se afastam, se encolhem para um canto que parecia não existir até à segundos atrás, no meio de toda aquela amalgama de carros e gente. Cria-se espaço suficiente para que a ambulância passe.

Ao olhar para a frente, depois de me afastar e ter a certeza de que criei o espaço necessário, o Carro estava agora um pouco mais à frente (dois lugares talvez), totalmente encostado à direita da faixa da esquerda ...de modo a que a ambulancia perdia o espaço para passar ... Podia não ter visto, era dificil (sirenes ligadas, luzes de emergência, toda a faixa do meio quase livre ...), mas podia não ter visto ... não fosse em segundos ver o condutor do Carro apontar para a direita, para a faixa de emergência, e não se demover um só milimetro da SUA faixa de rodagem ...

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