sábado, março 18, 2006

Princesa Desalento A minh’alma é a Princesa Desalento, Como um poeta lhe chamou um dia. É magoada, e pálida, e sombria, Como soluços trágicos do vento! É frágil como o sonho dum momento, Soturna como preces de agonia, Vive do riso duma boca fria: Minh’alma é a Princesa Desalento… Altas horas da noite ela vagueia… E ao luar suavíssimo, que anseia, Põe-se a falar de tanta coisa morta! O luar ouve a minh’alma, ajoelhado, E vai traçar, fantástico e gelado, A sombra de uma cruz à tua porta… Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade (1923)

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