Princesa Desalento
A minh’alma é a Princesa Desalento,
Como um poeta lhe chamou um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!
É frágil como o sonho dum momento,
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh’alma é a Princesa Desalento…
Altas horas da noite ela vagueia…
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!
O luar ouve a minh’alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra de uma cruz à tua porta…
Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade (1923)
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