que toma conta deste habitáculo, e onde o amor parece morrer aos fins de tarde, está um vazio. Mas não são quaisquer fins de tarde, são aqueles fins de tarde com cheiro a verão, poeirentos, onde o fumo das sardinhas se espalha pelos quintais dos vizinhos e onde as cigarras cantam árias de solidão e tristeza.
E o cansaço? É do sempre ... o de sempre que se renova. É um novo cansaço. Ou o cansaço deste verão ... hmmm o de todos os verões, só que volta como se não fosse nada com ele ... assim a assobiar para o ar, até estar em mim. Um cansaço espaçoso, grande, imenso, que despoja o amor, que o cala e amordaça. Este amor que parece viver em mim já de si contrariado e que sem luta nem golpes de espada se rende a uma morte certa, e aveludada, com o cheiro a sardinha, o sal no corpo, a areia nos pés ... a uma morte de fim de tarde.
1 comentário:
gosto muito! :]
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